REFORMA DO INDEPENDÊNCIA DANIFICA CASAS EM TORNO

13/04/2012

Vizinhos do “gigante do Horto” reclamam de trincas e fissuras nas residências, causadas após o início das obras.

A histórica casa de Vilma Oliveira, de 50 anos, e do taxista Cleverson Pignolato, de 52, um imóvel construído em 1890, está cheia de fissuras e rachaduras. Uma parte do terreno afundou e foi erguida recentemente, mas ameaça ceder de novo.Além desse casal, moradores de cerca de 20 residências vizinhas ao Independência, no bairro Horto, região Leste de Belo Horizonte, reclamam dos impactos da reforma do estádio.
Ontem, o Hoje em Dia visitou alguns imóveis afetados, juntamente com o presidente do instituto Brasileiro de Avaliações e pericias de Engenharia de Minas Gerais (IBAPE-MG), Frederico Correia Lima Coelho. Ele confirmou que há problemas decorrentes das obras do estádio. Os moradores temem que a situação não seja resolvida após a reinauguração do “gigante do Horto”.
A reforma começou em janeiro de 2010, e as portas do Independência devem ser reabertas, depois de muitos adiamentos, no próximo dia 25.A capacidade, que era de 9 mil torcedores, subirá para 25 mil.
Segundo o presidente do IBAPE-MG, os problemas detectados são decorrentes da fundação profunda do estádio, tendo aparecido durante a etapa de bate-estaca.”Os danos alcançaram casas em um raio de 20 a 30 metros da estaca”, avalia o engenheiro.
Na casa de Vilma e Pignolato, na rua Alexandre Tourinho, 298, as avarias estão por todos os lados. A construtora contratada pela secretaria Especial da Copa (Secopa) para a reforma do estádio, Andrade Valadares, fez dois reparos em uma parte do terreno que afundou. Entretanto, o local voltou a apresenta fissuras.
Pignolato afirma que, antes do início da reforma do estádio, nenhum técnico fez vistorias na casa dele para avaliar a situação do imóvel. “Precisamos fazer reparos na casa, mas temos medo de aparecerem mais trincas. O pessoal da obra nos orientou a não intervir em nada, para ter calma e esperar, porque a mão de obra estaria escassa”.
O engenheiro Frederico Lima constatou uma movimentação recente no terreno.Também observou uma fenda entre o muro antigo e o piso refeito.”Provavelmente, os problemas ocorreram por causa das obras do estádio, já que o terreno não tem histórico de instabilidade.Porém, a situação foi agravada pela ausência de uma junta de dilatação, que deveria ter sido feita pelos proprietários do imóvel”, explica.A solução, segundo Lima, passa pelo monitoramento do tamanho das fissuras.
Na residência do aposentado Romeu Lopes de Oliveira, de 69 anos, e da dona de casa Leisly de Oliveira, de 64, moradores da rua Alexandre Tourinho, 298, as pedras da garagem se soltaram. “O portão estragou e só abre com muito esforço.A casa balançou muito em um certo período das obras, e as rachaduras não param de aumentar”, conta Leisly.Segundo Frederico Lima, aqui houve um abatimento do solo, que mudou de nível em algumas partes.
O Presidente do IBAPE-MG, no entanto, lembra que os moradores das casas visitadas não fizeram projetos para reformas, necessários por menor que seja a intervenção. ”É interessante, em casos como esse, que se faça uma vistoria cautelar, para registrar como está a situação do imóvel antes das intervenções”, recomenda Lima.
Por meio da assessoria de imprensa, a Secopa informou que a construtora Andrade Valadares realizou vistoria cautelar em vários imóveis da região e que avalia todas as reclamações. Além disso, fez os reparos das avarias identificadas. A empresa não irá indenizar os moradores, mas se comprometeu a acelerar o processo da reparação.

Fonte:
Jornal HOJE EM DIA
Belo Horizonte, 10 de Abril de 2012

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